Castelo Branco-Naturtejo, Centro, Reportagem, Vila de Rei

Vila de Rei: uma península mesmo no centro de Portugal

Há mesmo no centro de Portugal um território que é como uma península: Vila de Rei. O concelho que é também o centro geográfico de Portugal está rodeado de água por três lados.




É daqueles acidentes geográficos que apenas a divisão administrativa explica. Vila de Rei é uma península situada mesmo no centro de Portugal e isso, em grande parte, deve-se à albufeira de Castelo de Bode e também à ribeira do Codes.

Claro está que, com tanta água à mão, as praias fluviais são uma das atrações a não perder quando se visita o território. E há para todos os gostos. Mas já lá vamos.

Comecemos por aquilo que traz a fama e forasteiros a Vila de Rei. O concelho fica mesmo no centro de Portugal e a 2 quilómetros da sede do município, na serra da Melriça, encontramos o Picoto, o marco geodésico que marca o centro do país. Este é um daqueles lugares a que não podemos faltar.

O marco geodésico e uma vista de cortar a respiração
Vila de Rei é centro geodésico de Portugal

Já seria bom pelo simples facto de sabermos que lá estivemos, mas ainda por cima tem uma vista 360 graus de cortar a respiração. Com o tempo limpo, podemos mesmo avistar a Serra da Estrela, que está a 100 quilómetros de distância. É também possível visitar o Museu da Geodesia, com uma sala de exposição temática e um pequeno bar de ampla janela.



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Agora, avancemos para a sede do município. Terra pequena e pacata, Vila de Rei tem mais para ver do que à primeira vista possa parecer. A sugestão é que se abandone o carro e se siga pelo casario que sobe a colina. É na parte mais antiga da vila que estão os seus maiores pontos de interesse.

Subindo até ao final da estrada, encontramos a antiga Igreja Matriz, incendiada pelos invasores franceses. Mas até lá chegarmos, temos o casario e ruas com personalidade onde devemos estar atentos a pormenores como um nicho ou uma lanterna e ainda algum beco.

Já que por aqui estamos, entremos no Museu Municipal. O espaço mostra-nos como eram os interiores e as vivências de uma famíllia de lavradores abastados nos finais do século XIX. É um museu interessante e que merece ser visitado. Aqui vemos a sala, os quartos, a despensa, a cozinha e até a adega, tudo com cuidado na apresentação e profusão de artefactos.

A não perder verdadeiramente é o Museu do Fogo e da Resina, um espaço premiado pela Associação Portuguesa de Museologia que nasceu após os grandes incêndios que devastaram o território de Vila de Rei e que nos explica a relação do homem com o fogo através dos milénios.

E já que por aqui estamos, aproveitemos para comer num dos restaurantes de Vila de Rei. O Cobra é o mais emblemático e o seu bacalhau prato de combate, mas a terra é conhecia pelos seus maranhos e pelo bucho recheado, que podemos provar no restaurante Alma Rei, do hotel da vila, na Churrasqueira Central ou na Tasquinha da Vila.

Vila de Rei
Albufeira de Castelo do Bode

Mas é quando saímos do centro urbano que Vila de Rei se nos aparece em todo o seu esplendor. O concelho tem sido fustigado por grandes fogos florestais, e isso nota-se na paisagem, mas os montes e vales do território continuam a deslumbrar.

Uma praia de águas cálidas
Praia de Fernandaires

Desde logo, a albufeira de Castelo do Bode. As águas que abastecem Lisboa espraiam-se aqui por quilómetros, criando um imenso lago que é utilizado para as mais diversas atividades de recriação. Desde logo, para bons banhos de uma água cálida aproveitada por todos quantos se deslocam à praia fluvial de Fernandaires. Aqui, é também possível fazer wakeboard, um percurso com salto (para os mais afoitos) de sky aquático a partir de terra. Mas além desta, a albufeira é espaço para uma outra praia fluvial, a de Zaboeira, perto da típica aldeia com o mesmo nome.

Mas há praias mais bucólicas, como a de Pego das Cancelas, perto da bela ponte dos três concelhos,a praia de Bostelim – a única com Bandeira Aul em todo o distrito de Castelo Branco e onde existe um parque de campismo – ou a de Penedo Furado. Detenhamo-nos aqui um bocado. A praia muito arborizada situa-se no troço final da ribeira do Codes e as àguas são límpidas e transparentes. Um percurso pedestre leva-nos a uma zona de cascatas onde é possível um bom mergulho e a meio caminho encontramos a pedra da bicha pintada, onde é visível o fóssil de um rasto de trilobites que inspirou uma das mais conhecidas lendas locais.

O passeio por Vila de Rei não pode acabar sem uma deslocação a Água Formosa, uma bela Aldeia do Xisto alcandorada a meia-encosta, e às conheiras, os vestígios da antiga exploração romana de ouro que foi forte neste concelho.

 

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