Celorico de Basto, Norte, Tâmega e Sousa

Fim de semana em Celorico de Basto

As escapadinhas por Portugal reservam-nos sempre surpresas e boas experiências. Celorico de Basto não é exceção.

Na transição entre o Minho e Trás-os-Montes, Celorico de Basto é um território entre o Tâmega e o vinhedo que nos dá o verde. Aqui temos as tradições, miradouros de vistas longas, muitos solares e o pequeno castelo que deu o nome a estas Terras de Basto.

Num passeio de apenas fim de semana, há que acordar bem cedo e aproveitar todos os minutos, nem que seja para nada fazer com qualidade.

Nestes dias em que a canícula aperta, queremos água e sombra. Um passeio por Celorico de Basto pode começar pela vila. Na sede de concelho encontramos quer água, quer sombra. A primeira na praia fluvial do Freixieiro, junto ao parque de campismo, com o areal da margem esquerda a deixar-se cobrir pela sombra que o arvoredo lhe empresa. A segunda, mais abaixo, bem no centro, no agradável Parque Urbano do Freixieiro, com os seus moinhos de água.

O enoturismo é um dos programas que estão ao alcance de todos, mesmo nestes tempos de restrições que vivemos. Por marcação, conhecem-se as adegas das herdades que produzem o vinho verde. Mas não é o único. Há empresas de animação turística que nos podem levar por passeios todo-o-terreno pelos montes sempre presentes no concelho. Neste fim-de-semana, preferimos ter outro tipo de experiências, sempre por nossa conta.

Em Celorico de Basto impõe-se uma visita ao castelo da Arnóia e à Villa de Basto. O castelo pequeno, de planta triangular e com torre de menagem, impõe-se na paisagem por muitos quilómetros. Apesar de ser fácil de aí se chegar, com setas indicativas nas principais estradas que cortam o concelho, num dos percursos falta a plana no último cruzamento. É óbvio que foi esse o que lá nos levou e por isso se demorou mais do que o previsto, por termos falhado a entrada. Mas eram sete da manhã e já subíamos a pé a íngreme encosta que segue da povoação até às muralhas. Íngreme, mas fácil de subir.

O castelo de Arnóia

O castelo pequeno, de planta triangular e com torre de menagem, impõe-se na paisagem por muitos quilómetros. E se é visto à distância, é certo e sabido que a paisagem que a partir dele se disfruta deve ser digna de se ver.

E pela manhãzinha, o sol empresta um alaranjado aos verdes dos montes circundantes e a neblina esconde os vales que ainda não acordaram. De pé na muralha deixamos os olhos espraiarem-se pela paisagem.

Com os olhos na paisagem

Para os mais afoitos, que o último lanço é difícil, é possível subir ao último piso da torre de menagem e colar as muralhas à paisagem. A tradição fala de mouros, mas o castelo é de traça românica e os vestígios arqueológicos encontrados falam dos ocupantes dos séculos XIV e XVI, numa altura em que a fortificação já tinha perdido o seu peso militar e era apenas símbolo do poder senhorial.

A neblina esconde os vales ainda adormecidos

Das muralhas do castelo vê-se a Villa de Basto. Esta foi a sede do concelho até 1717, altura em que o poder administrativo foi mudado para a freguesia de Britelo, onde hoje se situa Celorico de Basto.

Aqui, na Villa de Basto, há várias casas recuperadas que lhe emprestam um ar arranjado. Podemos ver o pelourinho, mesmo ao pé do Centro Interpretativo do Castelo d Arnóia, instalado na antiga escola primária. Se subirmos pelo caminho que parte da escola em direção ao monte, sempre ao lado de uma vinha, e chegados ao seu término, lá no alto, virarmos à direita, vamos ter à antiga forca.

Recuperada em 1963, a forca vale o passeio apenas pela vista que de lá se tem sobre a aldeia e o castelo, e isto porque a recuperação não foi a mais feliz. Mas fizemos o caminho e, pela paisagem, voltaríamos a fazê-lo.

O vau do Tâmega

Quase do outro lado do concelho, a partir de Britelo, descemos em direção ao rio Tâmega, que aqui é quase só fronteira, em direção a uma zona da margem apropriadamente chamada Vau. Os últimos quilómetros são feitos por terra batida, mas chegando à margem deparamos com um espaço totalmente natural, mas que é utilizado por muitos no verão. Quando lá estivemos, no primeiro sábado de agosto, apenas uma família se divertia nas águas aqui pouco profundas do rio, no local de fronteira dos distritos de Braga, Porto e Vila Real.

“Isso tudo é muito bonito, mas um fim-de-semana sem comida é capaz de não acabar bem”, dirão. Há várias propostas para comer em Celorico de Basto. Falaram-nos de um afamado Sabores da Quinta, mas que nesta época do ano apenas com reserva feita com bastante antecedência. Comemos no Nova Vila, um normal restaurante de diárias mas onde a posta maronesa é tratada com respeito. E, à noite, encantámo-nos com o Destravado e com os seus pratinhos. Cigarritos de frango panados em cornflakes abriram as hostilidades acompanhadas por cerveja artesanal. Pelo meio houve direito a grelos salteados com alheira e broa e a espetada de camarão com ananás. Nem só de gastronomia tradicional se faz a festa e por vezes apanhamos com boas surpresas.

Pratinho a pratinho se faz uma boa refeição

O fim de semana está perto do fim. Ficou muito para ver, mas está prometida nova visita numa época mais invernosa. Passámos pelos moinhos de Argontim e, estivesse o percurso bem conservado, seriam paragem obrigatória. Assim, vale pelo murmulhar da água que corre e pelo fresco que a vegetação densa possibilita. É bonito.

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