Cantanhede, Centro, Região de Coimbra, Vinhos e Gastronomia

Na Adega de Cantanhede reina o espumante

Fundada há 62 anos por 100 agricultores, a Adega de Cantanhede tem hoje 700 associados ativos e é o principal produtor da região demarcada da Bairrada, com a marca Marquês de Marialva. A maior aposta é na produção de espumantes, cujas caves são a grande atração do enoturismo desta adega cooperativa.
©Adega Cooperativa de Cantanhede
A entrega das uvas na adega

A Adega de Cantanhede, situada no centro desta cidade do distrito de Coimbra, é um dos bons exemplos de cooperativas que souberam modernizar-se e responder às exigências e ao gosto dos consumidores. Os associados possuem mais de 1000 hectares de vinhas onde a principal produção é de vinho base para espumante, a grande imagem de marca da região vitivinícola da Bairrada, que “foi a primeira a produzir espumante pelo método clássico em Portugal”, assegura o presidente da adega.

Victor Damião adianta que os espumantes continuam, a par do aumento das exportações, a ser a principal aposta da cooperativa e são já uma parte considerável nas vendas: 53% da marca Marquês de Marialva (marca dos vinhos DOC Bairrada) e 30% de todas as vendas DOC Bairrada da adega (incluindo marcas da distribuição). Além disso, “a venda de espumantes tem crescido nos últimos anos”, acrescenta.

Castas autóctones: a Baga

Os 700 sócios ativos (de um total de 1.500), produzem entre seis a sete milhões de quilos de uva por ano (cerca de quatro milhões de garrafas) e apostam principalmente em castas autóctones da região – Baga, Bical e Maria Gomes – embora incluam no encepamento outras castas nacionais – como Touriga Nacional, Tinta Roriz, Cerceal e Arinto – bem como castas internacionais adaptadas ao terroir da região (Cabernet Sauvignon, Syrah, Merlot e Chardonnay).


Exemplo do trabalho do enólogo Osvaldo Amado com a Baga, casta ex-libris da Bairrada, é o vinho DOC Bairrada Foral de Cantanhede – Baga Grande Reserva 2009 lançado em 2013 numa parceria com a Câmara Municipal de Cantanhede, que detém a marca Foral de Cantanhede e autorizou a Adega Cooperativa de Cantanhede a utilizá-la para efeitos comerciais. O pretexto para o lançamento foi a edição do Foral Manuelino de Cantanhede concedido por D. Manuel I, em 20 de Maio de 1514. O documento foi editado pela Câmara Municipal em versão fac-similada, acompanhada da transcrição paleográfica e de um estudo de enquadramento histórico. “É um vinho que resulta de uma seleção especial e que será feito em anos em que a Baga seja excecional, envelhecendo depois em barricas de carvalho francês, e que desta edição foram feitas apenas 4.224 garrafas”, explica o presidente da adega.

Ainda falando da Baga, a adega faz parte do recente projeto “ Baga Bairrada” lançado pela Comissão Vitivinícola da Bairrada e aberto a todos os produtores da Região. “A iniciativa estabelece, de forma evidente, um standard coletivo para o espumante ‘Baga Bairrada’, um produto distinto, com regras de produção e identidade gráfica próprias. Assegura um estilo que possa diferenciar os espumantes Brancos de Uvas Tintas no mercado interno e também perspetivar a sua afirmação no mercado internacional, onde o espumante português por vezes tem dificuldades em afirmar as suas especificidades”, explica a Comissão Vitivinícola da Bairrada no seu site.

Enoturismo tem crescido

Só nos últimos anos a Adega Cooperativa de Cantanhede começou a dedicar atenção ao enoturismo, muito por culpa do aumento de solicitações, explica a diretora de marketing. Em 2014 tivemos cerca de 1.060 visitantes oriundos de Portugal, Rússia, Japão, Bulgária, Estónia, França, Estados-Unidos, Bélgica, Brasil, Turquia, Marrocos, Macedónia, Polónia e Espanha”, diz Maria Miguel Manão ao Portugal de lés a lés, acrescentando: “já no ano passado houve um aumento de quase 23% em termos de nº de visitantes, assim como um aumento da diversidade das nacionalidades”. Em 2015, os enoturistas foram cerca de 1.300 e eram originários de Portugal, Estados Unidos, Brasil, Roménia, Ucrânia, República Checa, Irão, India, China, Inglaterra, Rússia, Timor, Bósnia Herzegovina, Bélgica, Eslovénia, Costa Rica, Indonésia, México, Dinamarca e Espanha.

©Adega Cooperativa de Cantanhede
A cuidar do mosto

A adega tem uma loja nas suas instalações, onde o público pode comprar as várias marcas e referências que a adega produz, mas também degustar alguns dos vinhos, com ou sem petiscos. Com marcação prévia, é igualmente possível visitar a adega e, principalmente, as caves onde repousam os espumantes Marquês de Marialva.

A Adega Cooperativa de Cantanhede possui também uma sala onde, por marcação, podem ser servidas refeições para grupos (festas de aniversário, de empresas, etc.), com o catering a ser da responsabilidade de um restaurante de renome na região, com uma ementa onde se destaca o leitão, tão típico da Bairrada, sempre acompanhado dos espumantes ou vinhos da cooperativa.

O portefólio da Adega de Cantanhede inclui uma ampla gama de produtos. Tem desde vinhos de mesa até vinhos premium (DOC, Reserva e Grande Reserva), Tintos, Brancos e Rosés. De destacar ainda uma vasta gama de Espumantes DOC, Aguardentes e Vinhos Licorosos.

A adega tem apostado em produzir vinhos de qualidade, certificando cerca de 80% da sua produção, sendo, por isso, o líder destacado nas vendas de vinhos DOC Bairrada e IG Beira Atlântico. Aumentar a exportação é, a par da produção de espumantes, outro dos objetivos. Neste momento, cerca de 20% do volume de negócios resulta de vendas no exterior, com o DOC Bairrada e a IG Beira Atlântico a representarem perto de 90%. A empresa vende para cerca de 20 países com destaque para: Canadá, Japão, Alemanha, Rússia, França, Brasil e China. Sendo que Rússia e China são mercados recentes da adega, mas “onde estamos a ter bons resultados”, afirma Maria Miguel Manão.

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