Alentejo, Almodôvar, Baixo Alentejo

O alfabeto mais antigo da Península Ibérica está em Almodôvar

Na Idade do Ferro, houve um povo que habitou o sudoeste da Península Ibérica e de quem muito pouco se sabe. Mas em Almodôvar podemos conhecer o tesouro precioso que os Tartessos nos deixaram: o primeiro alfabeto dos nossos territórios. O MESA – Museu da Escrita do Sudoeste Alentejano – é motivo para uma paragem em Almodôvar.

E já que lá se está, aproveite-se para conhecer o caráter desta vila alentejana e os seus arredores. Vá-se à estação arqueológica das Mesas do Castelinho, o Pego da Cascalheira no rio Vascão e o Pico do Mú, o ponto mais alto da serra do Caldeirão.

Na sede do concelho, visite-se a Igreja Matriz de Santo Ildefonso e o Convento de Nossa Senhora da Conceição com a sua talha dourada, os tetos pintados com motivos alusivos à Imaculada Conceção de Maria, e ainda com o órgão de tubos em estilo oriental.

Na Praça da República olhe-se para a janela manuelina de uma casa particular e entre-se no antigo edifício dos Paços do Concelho, hoje museu dedicado ao pintor Severo Portela.

Saindo-se da vila, os nossos passos levam-nos à ponte medieval da ribeira de Cobres e à Ermida de Santo António, onde é possível observar os restos dos frescos que retratavam a vida do santo. Para quem se interessa pela temática, é também de visita obrigatória o Sítio Arqueológico das Mesas do Castelinho, um povoado da Idade do Ferro que foi habitado até ao período islâmico.

No monte das Figueiras conheçam-se os palheiros de Veio, estruturas circulares de cónicos telhados de colmo. Em Santa Cruz, aproveite-se a beleza da paisagem no Pego da Cascalheira no rio Vascão.

E, claro, por terras de Almodôvar conheça-se a rica e saborosa cozinha regional alentejana e a cultura vincada de um povo que nela tem orgulho e que aposta na sua preservação.

Jorge Montez
Nasceu e fez-se jornalista em Lisboa, mas quando o século ainda era outro decidiu mudar-se de armas e bagagens para Viana do Castelo. É repórter. Viveu três meses em Sarajevo quando os Balcãs estavam a aprender os primeiros passos da paz, ouviu o som mais íntimo da terra na erupção da Ilha do Fogo e passou cerca de um ano pelos caminhos do Oriente.