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Tomar: roteiro de 1 dia na cidade dos Templários

É a cidade dos Templários, do castelo e do Convento de Cristo, mas Tomar tem muito mais para ver. A bela cidade banhada pelo Nabão promete um dia muito bem passado.



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O Convento de Cristo é o que nos leva a Tomar. Património da Humanidade desde 1983, é um dos maiores conventos europeus e uma obra-prima do renascimento. É por lá que começamos uma visita a Tomar.

Subindo-se a colina e conseguido o estacionamento, entramos pelo Castelo dos Templários. o berço de Tomar. Os termos foram doados por D. Afonso Henriques à Ordem dos Templários como reconhecimento do papel dos monges guerreiros nos combates contra os mouros e o castelo é fundado em 1160 pelo Mestre D. Gualdim Pais.

A igreja inicial do Convento de Cristo, em Tomar, é de tipo bizantino
A Charola era o lugar de culto dos Templários

O castelo albergava então a vila e desenvolvia-se entre a vila murada e a Charola. A Charola é, aliás, o que mais impacto tem no visitante no primeiro contacto com o recinto. Este era o lugar original de oração dos Templários e o começo daquele que é hoje um dos mais importantes conventos europeus.

A entrada no Convento de Cristo é obrigatória e vale bem os 6 euros do bilhete (sendo que a entrada é gratuita aos domingos e feriados). Este é um dos expoentes máximos da arquitetura manuelina e do renascimento. Demore-se nesta visita, aprecie os claustros, a charola com a sua decoração e, claro, não deixe de ver a célebre Janela do Capítulo e o seu intricado trabalho de pedra.

Depois de uma visita demorada ao castelo e ao Convento de Cristo, é tempo para descermos ao que é hoje o centro da cidade de Tomar, com uma paragem obrigatória na Mata dos Sete Montes. A antiga cerca conventual é hoje uma mata nacional com um jardim formal no seu centro. Aqui encontramos tanques renascentistas, a charolinha, o aqueduto de Pegões e várias fontes, com destaque para a dos Jasmins e para a fonte do Sangue.

Aproveitemos as sombras da Mata dos Sete Montes para conhecer um pouco mais da história de Tomar e melhor contextualizarmos o nosso passeio pelo seu centro histórico.

A cidade começa a ganhar a forma que hoje lhe conhecemos a partir de 1420, data em que o Infante D. Henrique se muda para Tomar como governador e regedor da Ordem de Cristo, que em Portugal continuou a dos Templários.

É ao infante que se devem as grandes transformações no convento, que seriam finalizadas já por D. Manuel I, e também na cidade. É ao seu governo que se deve o traçado de Tomar em cruz e o desenvolvimento das suas ruas em esquadria perfeita.



O centro de Tomar e a ponte velha que atravessa o Nabão estão perfeitamente alinhados com a entrada do castelo e este era o caminho percorrido pelos monges cavaleiros. Mas já lá vamos. Por agora, estamos na Mata dos Sete Montes.

Logo à saída temos a estátua do Infante D. Henrique (e agora já sabemos o porquê desta homenagem) e o posto de turismo, que foi o primeiro do país a ser construído para esse fim específico. Muna-se de um mapa da cidade e siga connosco para um passeio que tem tanto de fácil como de agradável.

Descemos a avenida e viramos na primeira à direita em direção à Igreja e Convento de São Francisco. O templo maneirista com um raro calvário alberga o Museu dos Fósforos, espólio de Aquiles da Mota que começou a coleção no paquete que o levava à coroação da rainha Isabel II, de Inglaterra.

Regressemos por onde viemos, atravessemos a avenida e entremos na rua Infantaria XV, onde encontramos o cine-teatro Paraíso, em direção ao coração da cidade: a Praça da República.

Aqui, vamo-nos demorar um bocado porque há muito para ver. Os olhos são inevitavelmente atraídos pela Igreja de São João Baptista. Aquela que é a Matriz de Tomar surpreende com o seu pórtico manuelino e a torre de pedra castanha, onde podemos ver alguns pormenores bem interessantes. No seu interior, encontramos a paz das grandes igrejas, mas também uma boa coleção de pintura quinhentista. Depois de sair da igreja, olhemos para a Praça, de grande harmonia. No centro, ergue-se a estátua a Mestre Gualdim Pais, o fundador da cidade, e no outro topo estão os Paços Reais de D. Manuel I, hoje Câmara Municipal.

Gualdim Pais foi o fundador de Tomar
Gualdim Pais e a Igreja de S. João Baptista

De novo de frente para a Igreja, tomemos a rua que parte pela sua esquerda em direção ao rio. Com o nome do explorador Serpa Pinto, é por todos conhecida como Corredoura, por ser o caminho que os cavaleiros percorriam. Este é a principal rua do comércio do centro de Tomar. Sigamos por ela até ao fim, onde nos deparamos com a chamada ponte velha que, apesar de ter sofrido renovações várias, mantém a traça romana.

Sigamos pela esquerda e apreciemos a margem do rio. Do outro lado, temos o agradável e verde mouchão, onde existe a reconstituição de uma roda hidráulica, igual às muitas que por aqui havia e qye foram ponto importante do sistema de rega dos campos e onde conhecemos o Festival de Estátuas.

Mas se não virarmos para o mouchão, no casario fronteiro à pequena ponte pedonal encontramos o Núcleo de Arte Contemporânea, o edifício que alberga a coleção do crítico de arte José Augusto França. Composta por 500 peças de pintura, escultura e fotografia, o espólio atravessa todo o século XX português, com destaque para o modernismo e o surrealismo. Há obras de Almada, Vespeira, António Pedro, João Cutileiro, José Guimarães e muitos outros para ver. Este é um espaço que não deve perder.
Regressemos à rua e à margem do rio. Sigamos pela direita, passemos ao lado da ponte e continuemos sempre pelo mesmo passeio. À nossa frente, separado por um ramo do rio, encontramos os Lagares d’El Rei onde hoje existe o complexo cultural da Levada e onde podemos ver a estação hidroelétrica dos princípios do século XX.

Edifícios manuelinos albergam o centro cultural da Levada
Os lagares de El-Rei

À saída, tomemos pela rua fronteira, Rua Dr. Joaquim Jacinto, e logo numa das primeiras casas do lado esquerdo deparamos com a Casa Memória Fernando Lopes Graça, o local onde o compositor nasceu e que hoje está musealizado. Se continuarmos pela rua, a meio do segundo quarteirão, está a sinagoga de Tomar, que é provavelmente o mais antigo templo hebraico em Portugal, e onde se encontra o Museu Hebraico Abraão Zacuto. Atualmente, a sinagoga está em obras de recuperação e parte da coleção pode ser vista no complexo cultural da Levada.

Menorá hebraica

Não podemos terminar o passeio por Tomar sem conhecermos a Igreja de Santa Maria do Olival. Para lá chegarmos temos de voltar atrás em direção ao rio. Quando aí chegarmos, viramos à direita e continuamos a percorrer a rua até chegarmos à rotunda. Se olharmos em frente, vemos do outro lado da Praça Alves Redol (assim se chama), os Estaus, um conjunto de três arcos que são os últimos vestígios das aposentadorias mandadas construir pelo Infante D. Henrique para receber os forasteiros que aí podiam pernoitar.

Atravessemos o rio e no cimo da Avenida Norton de Matos, do lado direito, ergue-se a Igreja de Santa Maria do Olival. O templo no mais perfeito gótico português, foi panteão dos Mestres Templários.
Estamos quase a acabar. Daqui sigamos pela rua de Santa iria até ao final. Temos a ponte velha mesmo à nossa esquerda, mas antes de a atravessarmos, olhemos para a Igreja e Convento de Santa Iria, com o seu portal a chamada Escola Renascença Coimbrã. O edifício foi erguido no local do martírio de Santa iria, a padroeira da cidade.

Não atravessemos a ponte. Sigamos pela direita junto ao rio e aproveitemos para descansar na bela esplanada onde temos um panorama sobre o Nabão, a cidade, o Castelo dos Templários e o Convento de Cristo. Vemos o que fizemos e assim consolidamos as memórias de um dia extremamente bem passado.

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