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De comboio à beira Tejo: guia para um passeio inesquecível entre Entroncamento e Vila Velha de Ródão

Entre o Entroncamento e Vila Velha de Ródão, o comboio segue os contornos do rio, levando-nos por um dos mais belos troços dos caminhos de ferro em Portugal. A linha da Beira Baixa é o fio de prumo para um passeio de três dias sempre de comboio à beira Tejo.




O Entroncamento é uma estação à antiga, com muitas linhas que partem para destinos longínquos e nos fazem sonhar. Embarcamos num dos 7 comboios diários que seguem em direção ao interior, pela linha da Beira Baixa, para um passeio de pouco menos de duas horas que nos vai encher os olhos.

O destino é Vila Velha de Ródão, porque é aqui que o comboio deixa a beira Tejo e segue para outras paragens. Pela janela descobrimos pouco depois o rio e vamos seguindo sempre à espera do primeiro espanto. E o que da janela vemos é nada menos do que um dos mais belos castelos portugueses. Almourol, a fortificação templária num ilhéu do Tejo vai desfilando como modelo em passerelle, enamorando-nos pela sua beleza e deixando a promessa de um passeio inesquecível.

Mais tarde, já depois de Abrantes, abraçamos definitivamente o Tejo e o comboio como que se cola ao percurso do rio. É sempre à beira Tejo que seguimos preguiçosos ao ritmo que a locomotiva nos empresta e que pode ser maior ou menor, consoante formos no rápido Intercidades ou no Regional que pára em todas as estações.

É assim que pela janela desfilam a barragem de Belver e logo depois, na outra margem, a bela praia do Alamal. É assim que encontramos a paisagem intacta das colinas que abraçam o rio, detetamos a foz da Ribeira de Nisa e – quase no fim – entramos nas Portas do Ródão.

Esta é um dos mais belos troços dos caminhos de ferro que cruzam Portugal e é o pretexto para um belo passeio de uns dias em que o carro não é necessário. O roteiro da viagem será feito ao gosto, tempo e interesses de cada um, mas há cinco pontos que aconselhamos vivamente que façam dele parte: Entroncamento, Almourol, Belver e Alamal e, finalmente, Vila Velha de Ródão.

Entroncamento e o museu ferroviário

 

Entroncamento
Museu Nacional Ferroviário

Logo no Entroncamento, no princípio ou no fim da viagem, é de visita obrigatória o Museu Nacional Ferroviário. Finalista do Prémio Museu Europeu do Ano 2018, ocupa 4,5 hectares do Complexo Ferroviário do Entroncamento e a sua jóia da coroa é o Comb

 

oio Presidencial. Mas há muito mais para ver e experimentar todos os dias da semana, à exceção de segundas-feiras. De terça a sexta abre das 13h00 às 18h00 e ao fim-de-semana está de portas abertas a partir das 10h00. O preço do bilhete para adulto é de 5 euros e o de criança (a partir dos 6 anos) é de 2,5 euros. Mas há bilhetes para famílias.

O Castelo de Almourol

A melhor forma de se chegar ao Castelo de Almourol é saíndo na estação que lhe ganhou o nome e fazendo uma caminhada de 10 minutos no máximo até ao rio. Junto ao castelo há um barco de 18 lugares que faz a travessia por 2,5 euros, preço que já inclui a visita à fortaleza. A travessia começa todos os dias às 10 da manhã.

de comboio à beira Tejo
Almourol visto do castelo

 

A origem do castelo perde-se nas brumas do tempo, mas quando D. Afonso Henriques conquistou a zona, em 1129, já existia e chamava-se Almorolan. Entregue aos templários pelo primeiro rei de Portugal, torna-se num dos mais importantes vestígios da ordem em Portugal.

Belver e Alamal

Saímos na estação de Belver, a bela povoação da margem direita do Tejo, de casario elegante e impressionante castelo. Aqui, além da fortificação e de um passeio pela povoação, há que não perder o Museu do Sabão, um dos quatro que existem no mundo e que tem a sua razão de ser pela antiga fábrica real que detinha o monopólio da feitura do sabão em Portugal. Este é, também, local de boa gastronomia, sendo referências obrigatórias O Castelo e o Sabores da Guidintesta, que aconselhamos vivamente.

de comboio à beira Tejo
A praia do Alamal e o hotel

Pernoitando no percurso, o local ideal é o Alamal River Club. Apesar de ficar na outra margem do Tejo, este hotel de posição privilegiada faz o transbordo a partir da estação. O Alamal River Club é uma antiga pousada do Inatel recuperada e agora gerida por um simpático e profissional casal. Com 20 quartos com ampla vista para o rio e piscina própria, fica na bela praia do Alamal, a única onde o Tejo deposita naturalmente o areal. É, dissemo-lo quando o visitámos, um refúgio de tranquilidade.

Vila Velha de Ródão

Esta é a estação terminal do nosso percurso. A partir de Vila Velha de Ródão, o caminho de ferro separa-se definitivamente do Tejo a caminho de Castelo Branco e da Covilhã. Saíamos, pois, e aproveitemos para conhecer a vila e aquele que é um dos principais monumentos geológicos do país, as portas do Ródão, assim conhecidas as escarpas que das duas margens estreitam o Tejo.

As Portas de Ródão foram afetadas pelos incêndios de 2017, mas não perderam a sua beleza. Da estação é fácil chegar ao miradouro para o monumento natural e, querendo-se, pode-se fazer o percurso até ao castelo no cimo da escarpa.

comboio à beira Tejo
As Portas do Ródão vistas do comboio

Outra forma de conhecer o monumento é através dos passeios pelo Tejo que todos os dias estão disponíveis a partir das 10 da manhã. Custam 10 euros por pessoa (mínimo 2 pax) e deve ser feita reserva para o 967646614. O operador Vila Portuguesa ainda propõe um passeio à descoberta das gravuras rupestres ainda visíveis.

A maioria dessas gravuras foi submersa com a construção da barragem do Fratel, mas em Vila Velha de Ródão é possível conhecer a sua memória no muito interessante Centro de Interpretação de Arte Rupestre do Vale do Tejo.

Como se vê, não faltam motivos de interesse para uns dias muito bem passados por estas terras à beira Tejo, tendo o comboio como pretexto e exclusivo meio de locomoção. Está tudo ali à mão de semear e a viagem é, em si mesma, um acontecimento que ficará marcado.

Há sete comboios diários que fazem o percurso entre o Entroncamento e Vila Velha de Ródão pela linha da Beira Baixa. Para poder começar já a planear a sua viagem à beira Tejo, veja os horários aqui.

3 Comments

  1. Faço essa viagem desde que me conheço e de fecto é uma viagem que vale a pena fazer.

    Só é pena que ultimamente no rio Tejo vê-se uma espuma branca com origem em Vila Velha de Rodão, vê-se que o que corre no leito do rio já não é água, pois a água não tem aquela cor. Vê-se que a vida tem desaparecido no rio a troco de celulose…

  2. Belo artigo, mas atenção que a Jóia da coroa do Museu Nacional Ferroviário é o Comboio Real e não o Comboio presidencial como está referido no artigo.

  3. O rio Tejo visto do comboio é belo visto de barco é um sonho é como entrar no desconhecido se a viagem fosse feita com um comboio a vapor era como se entrasse num mundo diferente.

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