Lendas, Ponte de Lima

A lenda do rio Lethes – Ponte de Lima

© Mário Vasconcelos
ilustração de Mário Vasconcelos

Já tinham passado o Tejo, o Zêzere, o Mondego, o Vouga e o Douro, alguns mais a custo que os outros, mas sem problemas de maior. Mas quando a Legião romana viu o Lima estacou. Seria este o Lethes? Estavam tão longe de casa, tinham já passado tantas privações e agora deparavam-se com mais este obstáculo. Seria? O burburinho deve ter-se instalado primeiro entre a soldadesca e depois junto dos oficiais.

– É o rio Lethes. Daqui não passamos!

O temor do exército romano era compreensível. Se fosse o Lethes, bastaria tocar nas suas águas para se esquecerem de tudo e de todos. Porque o Lethes, toda a gente o sabe, é a fronteira para o mundo inferior, o mundo dos mortos.

Décimo Júnio Bruto, o Cônsul romano que comandava as tropas, bem tentou convencer os seus Centuriões a passar palavra aos soldados de que ainda estavam muito longe da fronteira final e que passado o rio continuariam a sua marcha gloriosa de conquista e romanização deste território nos confins do Império.

Mas nem a autoridade nem a persuasão do Cônsul foram suficientes para apaziguar as hostes. Este era mesmo o rio Lethes e quem o atravessasse não mais voltaria para os seus amados.

Num impulso, Décimo Júnio Bruto arranca o estandarte da Legião do soldado que o levava, esporeia o cavalo e entra decidido no rio, perante o terror dos seus homens.

O Cônsul atravessou o Lima e chegado à outra margem começou a agitar a Águia Imperial e a chamar pelos seus homens, provando-lhes assim que aquele não era o Lethes.

Convencido, o exército atravessou as águas do Lima e seguiu a sua marcha que lhe daria a glória. Décimo Júnio Bruto passou à História com o cognome de Galaico, por ter sido o conquistador da que é hoje a Galiza.

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