Lendas, Madeira

A lenda de São Silvestre – Madeira

Estava Nossa Senhora sentada numa nuvem a observar o oceano, quando por ali passou São Silvestre.

O Santo saudou-a respeitosamente e, tomando lugar a seu lado, começaram a conversar.

São Silvestre disse:

– Senhora Minha, este é meu dia…

Respondeu-lhe a Virgem:

– Verdade, Silvestre!

E ele continuou:

– Como eu gostaria que esta data ficasse marcada no coração dos Homens!

A Mãe de Cristo sorriu.

E ele prosseguiu:

– Seria uma fronteira entre o passado e o futuro. Assim a humanidade teria oportunidade de se arrepender das suas faltas e esperança de um recomeço.

Nossa Senhora olhava vagamente para o horizonte. São Silvestre estranhou o seu silêncio e interrogou-a. E ela lhe disse:

– Lembraste-me da beleza e magnificência da formosa ilha da Atlântida e de como a arrogância e soberba dos atlantes causou o seu fim. Avisados por Deus da sua insolência, não se arrependeram e o Altíssimo castigou-os.

E, baixando a bela cabeça, começou a chorar.

São Silvestre, triste e consternado, não sabia o que fazer. Era a Mãe do Salvador que pranteava os orgulhosos e pecadores!

Apoquentado, cabisbaixo, de repente reparou nas lágrimas que escorriam pelas mãos da Senhora. E atreveu-se a olhá-la nos olhos.

Não eram lágrimas, eram pérolas resplandecentes que escorriam pelo belo rosto e caiam no local da desaparecida Atlântida.

Maravilhado, o santo tremia…

E Deus, na sua Infinita Graça, transformou a mais bela das pérolas que tombou no oceano numa ilha a que se chamou a Pérola do Atlântico – a atual Madeira.

Dizem os antigos que, ao soar das doze badaladas de 31 de Dezembro, dia de São Silvestre, os céus se enchiam de luzes brilhantes e maravilhosas, num caleidoscópio de cores. Os aromas e os sons celestiais acompanhavam então o prodígio divino.

É em honra desse milagre que se criaram as célebres Festas de São Silvestre, numa homenagem encantadora ao santo, a Nossa Senhora, a Deus, à Ilha da Madeira e à sucumbida Atlântida.

São Silvestre foi Papa na primeira metade do século IV depois de Cristo, durante o governo do Imperador Constantino, o primeiro governante de Roma convertido ao Cristianismo. Foi um dos primeiros santos canonizados sem sofrer o martírio.

Curiosamente, foi contemporâneo de São Nicolau que deu origem à figura do Pai Natal, como se fala noutra história.

Morreu a 31 de Dezembro, data que, segundo o calendário gregoriano, antecede o Ano Novo: em vários países, este evento é chamado silvester.

Por todo o mundo se marca a hora da passagem do ano com fogo de artifício e espetáculos de luz e som.

Assim, da lenda de São Silvestre, surgiu a inspiração para receber o Feliz Ano Novo.

Isabel Cruz
Lisboeta, saltitou na vida adulta por aqui e por ali, até que “aterrou” no Minho numa aldeia com oceano, rio e montanha. Bióloga de formação, adora o mar e mergulhar em reinos de fantasia. Descobriu que gosta de fazer crónicas e colabora na promoção de uma Associação Musical local. Sempre a achar que há muito mais a descobrir.