Castelo Branco-Naturtejo, Centro, Lendas, Proença-a-Nova

Lenda da torre da cortiçada – Proença-a-Nova

lenda da cortiçada, Proença-a-Nova

Houve, em tempos, no interior de Portugal, uma terra que se chamou Cortiçada, depois Vila Melhorada, e que agora se denomina Proença-a-Nova e aqui se conta uma lenda melindrosa de um povo sonhador.




Os seus habitantes admiravam tanto a lua no céu que resolveram construir uma grande torre para lá chegar e admirar de perto aquela espécie de queijo gigante.

E, no local de Oliveirinhas da Serra, um grupo deles começou a juntar cortiços, que eram muito abundantes no local.

Que espécie de cortiços? Não se sabe.

Tanto podiam ser pedaços de cortiça, muito abundante na zona, como cortiços (colmeias). E o brasão da terra daí tirou certamente a inspiração, apresentando uma árvore (que pode ser um sobreiro) com frutos de ouro, sinal de grande abundância de abelhas.

Iniciou-se então a dita construção.

Cortiço sobre cortiço, mais acima, cada vez mais acima, a torre ia crescendo lentamente. A obra não parava e parecia uma colmeia enorme com os trabalhadores subindo e descendo, levando, levando os cortiços cada vez para mais alto.

“Força, já falta pouco”!!!!! gritavam os que vinham de cima, enquanto abaixo se reunia todo o material que se podia.

“Está quase, quase”!! “Só mais um pouco”!!!!

Mas, de repente, a obra parou. Faltava um cortiço, só um, para se poder tocar a desejada lua.

Não havia mais em todo o concelho de Proença a Nova!

Houve grande agitação entre os operários. Matutaram, matutaram e, num impulso, alguém se lembrou:

– Mas é claro! Retira-se um cortiço da base e acaba-se lá em cima!

Dito e feito. E a torre desmoronou-se de imediato!

E logo alguém, certamente da vizinha povoação da Sobreira Formosa, eterna rival da terra, exclamou mordaz:

Lá se vai a cortiçada!!!!!!!!!!!!!!!

E ainda hoje, maliciosamente, se referem aos habitantes de Proença-a-Nova como “Cortiçolas”, apesar de a História provar serem gente sonhadora e empreendedora. Também se usava “Corticeiro”, provavelmente porque, quando se deslocavam do concelho, levavam consigo utensílios de cortiça.

E aos da Sobreira Formosa, maldosamente chamam “Cascarros”, designação da pior parte da casca do sobreiro.

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