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Janita Salomé: “Redondo vive a vida em festa”

Janita Salomé, cantor e compositor, lembra a infância feliz e a forma como aprendeu a sentir a cultura de Redondo, a vila alentejana de onde é natural e onde volta sempre que pode porque “é uma vila que vive em festa”.




Quando começa a falar de Redondo, Janita Salomé vai ao princípio. “Foi aqui que tive uma infância que posso considerar feliz. Eu pedia à minha mãe para andar descalço e andava de fisga no bolso porque tínhamos e ainda temos a natureza mesmo em cima de nós”.

As brincadeiras, os passeios e o contacto com os mais velhos foram determinantes para Janita e os restantes irmãos Salomé. “Habituei-me desde muito novo aos costumes da vila, às festividades e ao modo como esta gente está na vida”.

Encontrámos Janita Salomé por acaso e no mais apropriado dos locais, a Taberna do Trovador, casa de boa comida e onde o cante surge com a naturalidade da comunhão entre amigos. Foi em plena festa das Ruas Floridas, quando Redondo se enche de cor e de arte.

“Redondo vive a vida em festa. habituei-me a isso desde miúdo, ao carnaval, à festa das flores… É que tudo isto tem mesmo muitos e muitos anos, não são coisas inventadas agora, como as feiras medievais. Chega à Páscoa, chega ao Natal e há festa. Aqui há volta há várias vilas, mas Redondo é tido como a localidade onde as festividades são mais efusivas, mais frequentes, mais vivas e vividas”.

E a vila alentejana de Redondo é, além do mais – e isto dizemos nós – um local onde o forasteiro é bem recebido e rapidamente se sente em casa. Para Janita, isso “tem muito a ver com a cultura mediterrânica e com o Islão, inclusivamente.  Receber o viajante, conviver, abrir-se, pôr-lhe a mesa… tudo isso tem uma história muito antiga”.

Redondo tem as pessoas e a paisagem, com a serra d’Ossa e a planície, mas também tem história, estando assim completo o caldinho que faz o forasteiro apaixonar-se pela vila. Janita Salomé fala, a propósito da hipótese de Luís de Camões ter passado pela vila:

“Muito provavelmente, o Camões terá passado por aqui, porque era protegido pelos Sousa Coutinho, que tinham aqui no Redondo um palácio, o Palácio dos Condes do Redondo. Há um episódio passado algures na Índia, em que o Camões foi preso – porque era o trinca-fortes e andava sempre metido em grandes sarilhos. Não se sabia qual seria o fim daquela situação e foi um Sousa Coutinho que o tirou daquela situação. Ele muitas vezes tinha de sair de Lisboa para não ser seviciado e preso e muito provavelmente um dos sítios para onde se retirava terá sido o Redondo”.

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