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Herdade da Fonte Coberta: vinho e história a dois passos de Évora

Na Herdade da Fonte Coberta a água terá ajudado a matar D. João II. Hoje são ali produzidos vinhos de qualidade, como a marca Cajado Real.

Mesmo ao lado do IP2 fica este oásis no meio da planície alentejana. A Herdade da Fonte Coberta são 250 hectares de vinha, com charcas, uma moderna adega e criação de gado bovino. Conta a lenda que terá sido da fonte da herdade que D. João II bebeu a água envenenada que acabaria por o matar… verdade?! Não sabemos, mas da fama a fonte não se livra.

A Fonte Coberta tem castas selecionadas
As vinhas da herdade alentejana

A Herdade da Fonte Coberta remonta, pelo menos ao século XV, sabendo-se que depois do casamento do príncipe Afonso, em 1491, em Évora, El Rei D. João, a rainha e os noivos abalaram para a Fonte Coberta, para fugirem ao foco de peste que assolava a cidade.

Diz a lenda que o rei terá sido avisado por uma vidente para ter cuidado pois alguém o quereria envenenar, mas parece que os cuidados não foram suficientes, já que durante a estada na fonte coberta os dois copeiros do monarca, Fernão de Lima e Estevão de Sequeira, morreram inchados depois de beberem água (envenenada?) da fonte.

Também D. João II nunca mais terá tido saúde, começando de imediato a dar sinais da doença que o levou à morte quatro anos mais tarde, em Alvor, também inchado. A fonte, essa, continua hoje na herdade e pode ser visitada.

Visitantes são bem-vindos na Fonte Coberta

Herdade da Fonte Coberta
As modernas caves da herdade

Voltando aos dias de hoje, a Herdade da Fonte Coberta, com um total de 450 hectares, foi comprada pela Santos & Santos (que comercializa cerca de dez milhões de litros de vinho), com apenas 50ha de vinha na altura, principalmente pela vontade de Francisco Santos, administrador, que fez dela a sua paixão. “O enoturismo é o próximo projeto para mostrarmos tudo isto aos apreciadores de vinha”, diz-nos, mas antes ainda falta fazer um novo armazém de produto acabado, lembra. Mas os grupos de visitantes são bem-vindos, com marcação prévia.

O grupo Santos & Santos, fundado em 1977 pelos irmãos Adílio e Armando dos Santos, pais dos atuais sócios e administradores, tem sede e vinhas em Torres Vedras, mas em 2001 decidiu apostar em terras alentejanas para produzir vinhos de qualidade da região mais apreciada pelos portugueses, e também por muitos estrangeiros, quando escolhem néctares nacionais.

Presente nos quatro cantos do Mundo

Brancos e tintos de qualidade
Cajado Real é a marca produzida na Herdade da Fonte Coberta

A herdade produz cerca de dois milhões de litros de vinho, maioritariamente tinto, das marcas Ouro do Monte, Bolota Dourada, Santa Esperança, Herdade da Fonte Coberta e o mais recente topo de gama Cajado Real, exportando cerca de 20% da produção para mais de 20 países, com destaque para Angola, Camarões, Rússia, Reino Unido, China, Moçambique, S. Tomé, Suíça, Holanda, Estados Unidos, Canadá, Japão, França e Luxemburgo.

Localizada num local estratégico, no coração do Alentejo, e fazendo-se valer da perfeita harmonia entre o clima mediterrâneo com caraterísticas de clima continental e os solos de origem granítica, a Herdade da Fonte Coberta tem características ideais para a produção de vinhos de excelência.

Com temperaturas muito elevadas na época da vindima, que decorre em agosto/setembro, a vindima é realizada pela madrugada/manhã e ao entardecer, protegendo assim a essência e qualidade das uvas. É essencialmente mecânica, sendo as castas especiais de apanha manual.

"“as vinhas foram sendo plantadas sucessivamente nos anos 2002 a 2007, e algumas mais recentes"
O enólogo José António Fonseca

José António Fonseca é o enólogo da casa e o responsável técnico deste projeto. Conta-nos que “as vinhas foram sendo plantadas sucessivamente nos anos 2002 a 2007, e algumas mais recentes, estando agora praticamente todas em plena produção”, com castas nacionais para os tintos, como a Trincadeira, a Touriga Nacional, a Aragonês e a Alicante Bouschet (que, sendo de origem francesa só é praticamente plantada no Alentejo, onde se dá muito bem), mas também internacionais como Syrah e a Cabernet Sauvignon, ou a Antão Vaz, a Arinto e a Roupeiro, entre outras, nas brancas.

Os visitantes podem passear pelas vinhas e pela herdade onde pasta também gado bovino, visitar a moderna adega e a sala de barricas, mas também provar os vinhos na adjacente salada de provas, podendo ainda levar alguns vinhos para casa.

Jornalista há 25 anos, Emília Freire colaborou com vários meios de comunicação (como o Diário Económico e a TSF), quase sempre na área económica. Mas foi quando editou a revista da Fundação Alentejo Terra-Mãe que ficou com o 'bichinho' de escrever sobre agricultura, vinhos e gastronomia. Assim, mais recentemente focou-se nestas áreas, principalmente os vinhos, em revistas profissionais (Vida Rural, Enovitis/Oleavitis e Distribuição Hoje).