Acontece, Vila Real

Barro negro de Bisalhães é Património da Humanidade

O processo de fabricação do barro negro de Bisalhães foi hoje inscrito  pela UNESCO como Património Cultural Imaterial da Humanidade a necessitar de salvaguarda imediata.

A candidatura fora apresentada pela Câmara Municipal de Vila Real por ser uma atividade em vias de extinção, existindo apenas cinco oleiros ainda em atividade na aldeia de Bisalhães. O chefe da delegação portuguesa na reunião do Comité Intergovernamental para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial, embaixador Jorge Lobo de Mesquita, afirmou que “Portugal está muito honrado pelo facto de, com esta decisão, mais uma das suas tradições passar a estar hoje inscrita na lista de salvaguarda urgente, desta vez oriunda de uma pequena comunidade no norte do país, no Município de Vila Real”.

Uma tradição a fazer cinco séculos
Tradicional forno na terra

Bisalhães é um dos poucos locais do mundo onde se continua a produzir olaria negra, seguindo uma tradição que remonta ao século XVI. Os oleiros obtêm a caraterística cor cozendo as peças em fornos abertos na terra onde são queimadas giestas,  caruma e carqueja que posteriormente são cobertas de terra. É o fumo produzido pela queima que dá a cor negra ao barro.

A autarquia de Vila Real, responsável pela candidatura, afirma que “este reconhecimento internacional permitirá partilhar o conhecimento ancestral dos oleiros de Bisalhães com o mundo”. Para fonte do município citada pelas agências, irá ainda “motivar a implementação de um amplo plano de salvaguarda que o município de Vila Real idealizou, que vai desde a formação de oleiros, passando pela certificação do processo e até ao incentivo do surgimento de novas utilizações e designs para este material único”.

Apenas cinco oleiros mantêm tradição
Reconhecimento da UNESCO permitirá salvar a atividade

Vila Real tem já em marcha um plano de salvaguarda da ordem dos 370 mil euros, que visa impedir a sua extinção e aumentar a rentabilidade do produto. Este plano prevê a certificação das olarias e dos oleiros, a criação de rotas, a melhoria dos postos de venda, cursos de formação e a introdução de novos designs. O presidente da Câmara, Rui Santos, afirma que “esta inscrição possibilitará ainda que façamos candidaturas a financiamento para levar ainda mais longe esta nossa missão de salvar o Barro Preto de Bisalhães”,

A decisão da agência das Nações Unidas para a Ciência, Educação e Cultura foi esta tarde tomada em Adis Abeba, a capital da Etiópia, onde está a decorrer a 11ª reunião do Comité Intergovernamental para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial.

A partir de hoje, o barro preto de Bisalhães junta-se aos chocalhos de Bemposta como Património Cultural Imaterial da Humanidade a necessitar de salvaguarda imediata.

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